O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro realiza um projeto literário voltado para mulheres que cumprem penas restritivas.
O "60 Minutos de Empoderamento" propõe debates sobre livros que abordam temas como violência de gênero, autonomia, maternidade, vulnerabilidades sociais, autoestima, além de pertencimento e direitos humanos.
De acordo com o tribunal, muitas mulheres chegam ao sistema de Justiça após passarem por ciclos de violência, exclusão, silenciamento e abandono. E a ideia do projeto é oferecer uma ferramenta de apoio, por meio do contato e discussão sobre as obras, estimulando reflexão e transformação social.
Cláudia Márcia Vidal, juíza titular da Vara de Execuções e Medidas Alternativas, explica como funciona a iniciativa.
“Visa realizar encontros rápidos, com duração de 60 minutos, focado nos temas relativos aos direitos humanos. Ele se volta à reflexão sobre temas sensíveis sobre as vulnerabilidades da sociedade brasileira. Na primeira fase, nós estamos fazendo um letramento de gênero, fazendo leituras e trazendo ao debate questões e leituras de livros sobre gênero. Nós também temos a fase do letramento racial e do letramento LGBTQI+”.
A juíza destaca ainda a importância dos aprendizados gerados.
“Esse letramento é necessário para que haja identificação do local dela, da posição em que ela se encontra, que elas possam entender e não naturalizar as relações abusivas, que elas possam ver esse ciclo de agressões e violência que sofrem e que possam ressignificar, né, seu olhar sobre as suas relações para que também não sejam levadas ao cárcere em razão dessa submissão”.
A próxima edição do projeto será no dia 19 de junho, na sede do tribunal, no centro do Rio. O livro abordado será "Mulheres Invisíveis: o Viés dos Dados em um Mundo Projetado para Homens", da escritora Caroline Perez, que trata das barreiras do cotidiano que impactam a vida das mulheres.
Fonte: Radioagência Nacional