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Unicef alerta para persistência de castigo corporal contra crianças
Agência da ONU divulgou pesquisa qualitativa feita no Brasil
Radioagência Nacional - Por Priscila Thereso
Publicado em 24/09/2026 17:28
Nacional
© TV Brasil

Um beliscão, uma palmada ou uma chinelada. Muitas crianças ainda sofrem violência física como forma de castigo. Para entender por que a agressão corporal contra meninos e meninas persiste no Brasil, o Unicef, Fundo das Nações Unidas para a Infância, realizou uma pesquisa qualitativa, a partir de diálogos com pais e mães de crianças na primeira infância.

O resultado das entrevistas com mais de 200 pessoas, entre pais, mães, lideranças comunitárias e profissionais da rede de proteção, nas capitais do Rio de Janeiro, Amazonas e Pernambuco, foi divulgado nesta quinta-feira (24).  

Um dos principais achados do estudo está ligado à crença de que, para pais e mães, bater não é violência, detalha Luiza Teixeira, especialista de Proteção à Criança do Unicef no Brasil.

"Elas diferenciam a palmada, a chinelada do espancamento e desconhecem os impactos negativos que a violência, por mais leve que seja, causa na criança. Então, para as famílias, o bater é visto como uma forma legítima de corrigir. A outra questão que a gente identificou é que as famílias não conhecem alternativas para lidar com as tensões ali na criação, né, de seus filhos, que não seja por meio da violência. Então, falta esse repertório para que elas possam praticar uma parentalidade não violenta".

Outro resultado é o desconhecimento sobre comportamentos que são naturais para a primeira infância, ressalta Luiza Teixeira.

"Nessa fase de 0 a 6 anos, que é uma fase única de desenvolvimento cerebral, cognitivo. E isso causa uma série de comportamentos nas crianças que não são manipulações, não são mau gênio, são, na verdade, manifestações naturais desse desenvolvimento. E as famílias desconhecem isso, então acabam achando que os comportamentos são propositais, quando na verdade não são".

Para ela, a violência armada também tem impacto na forma que pais e mães cuidam de seus filhos.

"Que nesses contextos de insegurança pública, tem uma crença muito grande das famílias que controlar as crianças de forma rígida e muitas vezes violenta é uma forma de protegê-la contra a violência externa, contra a violência fora de casa. Então, a gente vê que a questão da violência armada tem um impacto também na maneira como os pais, mães e cuidadores cuidam dos filhos. Porque na verdade, os pais e as mães, eles querem o bem das crianças, eles se preocupam com o bem-estar. Então, é uma questão não só de prover informação, de que o castigo corporal traz prejuízos, mas também de oferecer essas alternativas e oferecer esse apoio para essa mudança de comportamento".

A especialista do Unicef no Brasil afirma, ainda, que existe uma lacuna em termos da capacitação da rede de proteção. Ou seja, para profissionais que lidam com essas crianças identifiquem o castigo corporal como um problema e saibam como agir, oferecendo alterativas e apoio às famílias.  

A sobrecarga materna é outro ponto sobre o qual o estudo lança luz. Com a maior parte das responsabilidades recaindo sobre as mães, ficou evidente como o estresse cotidiano gerado pelo cuidado, assim como as pressões socioeconômicas, podem tornar respostas violentas mais comuns diante de comportamentos desafiadores das crianças.  

Segundo a pesquisa, esse achado se conecta à percepção de muitos participantes de que a violência física é cometida principalmente em momentos de cansaço, estresse e perda momentânea do autocontrole.  

Para mudar essa realidade de violência, o Unicef recomenda incluir a parentalidade protetiva nas políticas de Primeira Infância e fazer com que a informação e o apoio cheguem até as famílias, em especial as mais vulneráveis. As campanhas de comunicação precisam dialogar com a realidade dessas famílias, trazendo alternativas e soluções.  

O Fundo das Nações Unidas sugere identificar as portas de entrada para o acesso às famílias, como as lideranças comunitárias e profissionais que são vistos como referência, além de garantir maior investimento das políticas para a primeira infância.

Fonte: Radioagência Nacional
Esta notícia foi publicada respeitando as políticas de reprodução da Radioagência Nacional.
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